Os sintomas que nos levam a uma análise
- Carolina Antonia Goulart de Paula

- 31 de mai. de 2024
- 3 min de leitura
Atualizado: 26 de jun. de 2024

Os sintomas são signos que encontramos na linguagem para nomear como a experiência do sofrimento nos atravessa. Muitas vezes, esses signos têm origem no discurso médico e referem-se a um diagnóstico. No entanto, o objetivo deste post é explorar como a psicanálise lê e aborda esses sintomas, e também como uma análise pode nos ajudar a produzir algum saber sobre o sofrimento que nos aflige.
Ansiedade
A ansiedade é um termo amplo usado para descrever um estado de alerta que afeta todo o corpo. Importante ressaltar que a ansiedade surge em momentos em que estamos apreensivos com algo que está por vir ou com os efeitos resultantes do que já passou, gerando sentimentos conflituosos que afetam todo o corpo. Durante uma análise, podemos buscar entender o que causa essa apreensão intensa e, principalmente, encontrar maneiras individuais de lidar com esse sentimento.
Angústia
A angústia é um afeto que, conforme Lacan trabalha, nunca mente. Esta sensação muitas vezes nos atinge e domina completamente, colocando-nos diante daquilo que não conseguimos nomear. Assim, ao sermos tomados por esse sentimento, frequentemente agimos na tentativa de escapar dessa situação. O movimento da análise busca confrontar a angústia, pois ao nos defrontarmos com algo nesse sentimento tão avassalador, somos levados a falar sobre o que nos faz sofrer. A partir dessa elaboração, encontramos um caminho que pode nos guiar em direção ao nosso desejo.
Dificuldade em relacionamentos
Relacionamentos amorosos, amizades e relações familiares são complexos e frequentemente se entrelaçam com nossa história pessoal. A maneira como interpretamos essas relações é fundamental para nos posicionarmos diante do outro. Nesse sentido, a análise oferece a oportunidade de examinar como nos relacionamos e, a partir disso, questionar tanto a nós mesmos quanto ao outro.
Compulsão Alimentar
A compulsão alimentar e outros tipos de compulsões estão associados a um mecanismo de recompensa imediata que gera um sentimento ambivalente de prazer e arrependimento/culpa. Essas compulsões levam a repetições, como compras excessivas e vícios, que são vividos no corpo e envolvem significados que podem ser explorados ao longo de uma análise.
Espectro Autista
O espectro autista, ou pessoas neurodivergentes, apresentam uma forma singular de se relacionar e de estar no mundo, sofrendo os efeitos de não se adequarem a um contexto neurotípico. Nesse sentido, a análise psicanalítica constrói-se a partir da escuta dessa singularidade e do trabalho com as experiências enfrentadas diariamente por esses sujeitos. O objetivo não é adequar o sujeito a uma conformação com seu diagnóstico, mas sim trabalhar a partir de sua experiência subjetiva.
Transtorno de imagem
Os transtornos de imagem são distorções na percepção da imagem corporal do sujeito e dificuldades em reconhecer-se. As mudanças no corpo, como as decorrentes da puberdade, envelhecimento ou doenças, afetam essa percepção e geram sofrimento. O trabalho da análise consiste em esvaziar esses sentidos atribuídos à imagem corporal e construir novas potências e desejos que vão além dessa imagem.
Inibição
A inibição é um sintoma que pode ser entendido como um impedimento para realizar atividades, produzir trabalhos ou alcançar o que se deseja. A partir da inibição, trabalha-se também com os obstáculos e embaraços que limitam o movimento do sujeito em direção aos seus desejos, o que frequentemente resulta em sofrimento.
Lutos
Os lutos são processos de perdas de pessoas que faleceram, fim de relacionamentos ou momentos da vida. O processo de partida de alguém ou algo nos afeta profundamente e será vivido por cada um a sua maneira. Para que este complexo processo seja vivido é preciso que falar sobre esse acontecimento e o quanto ele nos atravessa.
Estados depressivos
Os estados depressivos são períodos em que a pessoa experimenta profunda tristeza e tem dificuldade em desejar qualquer coisa. Há uma perda de interesse por atividades prazerosas, relacionamentos e trabalho, e um sentimento de desesperança paralisante toma conta. O trabalho da análise consiste em escutar esse sofrimento e, gradualmente, construir possibilidades para o sujeito encontrar novas possibilidades.
Os tratamentos dos sintomas vão muito além do que foi descrito neste post. Caso tenha mais dúvidas, estou à disposição para responder suas perguntas.


